terça-feira, 13 de maio de 2008

terça-feira, 6 de maio de 2008

Queixume

Oh, let me weep, let me for ever weep...
My eyes no more shall welcome sleep.
I'll hide me from the sight of day,
And sigh my soul away.
He's gone, his loss deplore,
And I shall never see him more.
Henry Purcell

OH LET ME WEEP.

Para sempre.

http://www.youtube.com/watch?v=B5xsuMb-PzQ
Já assim soava nos primeiros minutos de Hable con Ella de Pedro Almodovar. Desde aí a minha paixão por Pina Bausch. Um encanto supérfluo que sempre guardei. Reificou-se num bilhete que me dava acesso a um lugar de visibilidade reduzida. Ainda hesitei. Se não fosse naquele dia, não seria nunca, pensei. Ontem. Corri para ocupar o meu lugar. Uma pequena cadeira elevada num camarote no Teatro Municipal S. Luiz. Entre os fragmentos que perdi, o que observei foi o suficiente para incorporar as palavras orquestradas por Henry Purcell e encarnar os amantes coreografados por Pina Bausch.
Tamanha tristeza em tão escassos minutos. A intensidade dos movimentos, a força das emoções que desfilaram naquele palco dissolveram o tempo. Não permitas que a força dos teus braços me abandone num chão frio, gritavam. Aqueles corpos imploravam carinho, compaixão. Amor. Revelavam, em movimentos repetidos e compasso acelerado, espasmos de dor e convulsões de desespero. Angústia.
Calcei os sapatos rosa que tiqtaqueavam o palco e cambaleei. Por entre mesas e cadeiras dispersas vagueei em agonia, cega embati contra o vidro e a parede, vezes sem conta. Não me largues dos teus braços. Apela à tua força. Não me soltes. Se eu soubesse amar-te com a delicadeza daquela folha de papel que deslizou até à calçada. Se eu soubesse abraçar-te. Que os meus braços se ancorassem ao teu corpo. Não demorou. Assim como não tardariam os passos com que te ofertaria os meus sentimentos. Em silêncio.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A LUTA CONTINUA


As amoreiras junto ao Aquário Vasco da Gama.

A buganvilia na escadaria da Alameda fazendo-se acompanhar dos jorros de água que atribuíam vivacidade à estatuária da fonte.

A murta e os fósseis que adornavam as pedras, vindas da OTA, utilizadas na construção de um caneiro no jardim que dá um toque de beleza ao espaço que envolve o hipermercado Feiranova em Chelas.

PORQUE QUEM SE AGARRA À TERRA NUNCA CAI.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Talvez... sinais.

ÀS VEZES, GOSTO DE PENSAR EM SINAIS. É confortável pensar que existe algum plano traçado para cada um de nós, pois pouca coisa teremos que fazer... Tudo virá, mais tarde ou mais cedo, ter connosco. Mas assusta-me pensar que não temos qualquer liberdade de escolha ou que a temos ficticiamente. Podemos decidir que, naquele tal dia, não queremos fazer tal coisa, mas mais tarde por muito que fujamos desse dia e dessa tal coisa, lá estarão eles a perseguir-nos num beco sem saída!
PREFIRO PENSAR QUE TEMOS QUE NOS APERFEIÇOAR. Seja isso o que for! Tentar ser melhor a cada dia que passa... Penso no yoga, por exemplo. Duas vezes por semana lá estou eu a braços com o peso da minha massa corporal. Em luta contra os meus limites de flexibilidade, equilíbrio e permanência. Há dias que nem sequer devia entrar naquela sala, pelo simples facto de que parece que não fui talhada para tais posturas. A verdade é que que me dá um gozo enorme aperceber-me do quão limitada sou e de quão perseverante posso ser se acreditar que um dia serei capaz de miraculosamente colocar a perninha por detrás da nuca, entre mil e uma outras posições!
E QUE NESSE PROCESSO DE APERFEIÇOAMENTO, existe um trilho que nós próprios delineamos, perto ou longe desse caminho que supostamente nos é previamente traçado. E há uma intuição, uma sensação íntima que nos faz franzir o sobrolho e torcer o nariz. Muitas vezes, teimo em negar-lhe a atenção devida. Penso: Hmmm... Deixa-te de coisas! Mas depois surgem sinais, ou situações em que queremos crer como uma chamada de atenção para determinado assunto. Presentemente, muito presentemente na minha Vida. Falo de um, dois dias; entre ontem e hoje. Um e-mail que relata o princípio do vazio. Sim, o vazio. Temos tendência ao materialismo. A materializar todas as coisas. Eu tenho. A fotografar momentos, pessoas. A cristalizá-las no tempo e guardá-las. Guardar livros e brinquedos de infância. Guardar, guardar, guardar. Guardar, muitas vezes, objectos que nunca voltaremos a utilizar e que apenas ocupam espaço. Assim é com as nossas memórias, boas e más. O lema é: esvazia a tua mente e o teu coração de tudo aquilo que é supérfluo na tua Vida, pois só assim é possível ganhar espaço, criar um vazio necessário às coisas novas que possam surgir na tua Vida. Foi assim que me senti ontem ao assistir ao vivo à actuação da Kumpania Algazarra. Ver-me livre de tudo o que me prendesse os movimentos... Resta livrar-me do medo de me expor e de ser julgada pelos outros. Viver a alegria e a liberdade em plenitude, como o faz Juno. Deliciei-me com o filme. Estava à espera de uma película um pouco aborrecida a abordar o assunto "gravidez de uma jovem de dezasseis anos". E descontraídamente regalei-me com um humor surpreendente de uma pessoa que encara os seus problemas com grande à-vontade, encontrando fácil resolução para todos eles. Sofre igualmente. Verte lágrimas, tal como eu em determinadas cenas. Mas apresenta-se como aquela que eu gostaria de ser, pela sua garra, pela sua forma de enfrentar as pessoas, pelo modo como se aceita. Como diria alguém, SEM PENDÊNCIAS!